Conformidade e documentação
ART na construção civil: o que é, quando emitir e quanto custa
Uma torre predial em Curitiba gera de 8 a 12 ARTs diferentes. Saber exatamente quando emitir, quem assina e o que custa no CREA-PR evita embargo, multa e prazo comprometido.

Qualquer obra em Curitiba — do galpão industrial ao prédio de 20 andares — gera ao menos uma ART. Na prática, uma torre residencial com estrutura, fundação, hidráulica, elétrica e instalações especiais acumula de 8 a 12 ARTs durante o ciclo completo. O problema quase nunca é saber que a ART existe — é saber exatamente quando emitir, quem assina, qual o valor e o que acontece quando falta uma na hora da fiscalização.
A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é o documento que vincula um profissional habilitado no CREA a uma atividade técnica específica. Sem ela, a obra não tem cobertura técnica legal, o profissional fica exposto a notificação e a incorporadora responde solidariamente em caso de acidente ou vício construtivo. Este guia reúne o checklist de obrigatoriedade por etapa, as faixas de custo praticadas no CREA-PR em 2026 e os erros mais comuns que a Shark identifica ao entrar em obras onde a documentação foi tratada como detalhe.
O que é ART e por que ela existe
A ART foi criada pela Lei 6.496/77 e é regulamentada pelo CONFEA e pelos CREAs regionais. Ela cumpre duas funções simultâneas: identifica o responsável técnico pela execução ou projeto e registra o vínculo contratual entre profissional e contratante perante o sistema de fiscalização. Todo engenheiro, arquiteto ou técnico de nível médio habilitado no CREA deve emitir ART para qualquer atividade técnica remunerada — projeto, execução, laudo, consultoria, perícia.
Ela não é um favor à obra: é requisito legal com consequência direta na linha do tempo. Prefeitura de Curitiba exige ART de estrutura e fundação para dar andamento ao alvará de construção. AVCB do Corpo de Bombeiros exige ART de elétrica e SPDA. Vistoria de conclusão exige ARTs de todas as especialidades envolvidas. Obra sem ART em dia é obra com prazo comprometido — e incorporadora respondendo por atraso que poderia ter sido evitado.
Quando a ART é obrigatória — os marcos da obra predial
Não existe uma única ART que cobre tudo. O que existe é uma ART por serviço, por profissional, por etapa contratada. Num prédio típico em Curitiba, os momentos que disparam emissão obrigatória são:
- —Início de qualquer serviço técnico remunerado — o profissional emite antes de começar, nunca depois
- —Substituição de responsável técnico — se o engenheiro de obras troca, nova ART de execução entra antes de retomar
- —Serviço concluído — ART de conclusão (ou CAT, Certidão de Acervo Técnico) encerra o ciclo e registra o serviço no histórico do profissional
- —Fiscalização no canteiro — agente do CREA pode solicitar ART física ou QR Code da ART digital no local; sem apresentar, auto de infração imediato

Checklist ART por especialidade: quantas uma obra predial gera
A lista abaixo cobre um prédio residencial padrão em Curitiba. Obras maiores ou com mais instalações especiais ampliam o número:
- 01ART de projeto estrutural — engenheiro calculista que assina o memorial e as pranchas
- 02ART de execução de estrutura — responsável técnico da empreiteira de fôrma e armação
- 03ART de fundação e sondagem — se empresa separada executar as estacas ou radier
- 04ART de projeto hidrossanitário — engenheiro ou técnico que desenvolveu o projeto
- 05ART de execução hidrossanitária — responsável técnico da empresa que instalou
- 06ART de projeto elétrico e SPDA — abrange QGBT, distribuição e para-raios
- 07ART de execução elétrica e SPDA — empresa instaladora (pessoa física responsável)
- 08ART de instalações especiais — elevador, sprinkler, GLP, CO² — cada sistema gera ART própria
- 09ART de laudos técnicos — PPRA, PCMSO, LTCAT, PCMAT — cada laudo tem seu responsável técnico e ART separada
- 10ART de projeto arquitetônico — atenção: se for arquiteto, o equivalente é RRT no CAU, não ART no CREA
Quanto custa a ART no CREA-PR em 2026
O valor da ART é calculado com base no valor do contrato ou serviço, aplicando tabela de percentual regressivo definida pelo CONFEA. As faixas praticadas no CREA-PR em 2026 ficam aproximadamente assim (valores de referência de mercado — consulte a tabela atualizada no portal CREA-PR, que sofre atualização por resolução do CONFEA):
- —Contratos até R$ 15 mil: guia em torno de R$ 60 a R$ 100
- —Contratos de R$ 15 mil a R$ 150 mil: faixa de R$ 100 a R$ 350
- —Contratos de R$ 150 mil a R$ 1,5 milhão: faixa de R$ 350 a R$ 900
- —Contratos acima de R$ 1,5 milhão: valor máximo em torno de R$ 900 a R$ 1.200 conforme resolução vigente
Para ter noção da proporção: num contrato de empreitada de R$ 2 milhões, a ART de execução custa menos de 0,07% do valor. O custo é marginal perto do risco de obra sem cobertura técnica. Onde o custo começa a pesar é quando a obra acumula 10+ ARTs de especialidades distintas — ainda assim, soma total raramente passa de R$ 6 a R$ 8 mil num prédio de médio porte.

Quem emite, quem paga e quem arquiva
Quem emite: o profissional habilitado — engenheiro, arquiteto ou técnico de edificações com registro ativo no CREA. Não existe ART assinada por pessoa jurídica. A empresa pode ter CNPJ de construtora, mas a ART sai sempre na pessoa física do responsável técnico.
Quem paga: depende do contrato. Na empreitada de mão de obra, prática padrão é a empreiteira arcar com a ART de execução do serviço dela — é custo do serviço contratado. O contratante (incorporadora ou construtora principal) banca as ARTs de projeto e laudos que ele mesmo contratou diretamente.
Quem arquiva: ambos. O profissional registra no acervo técnico (CAT). A obra guarda cópia física ou QR Code confirmado no portal CREA no canteiro, para apresentar em fiscalização. A incorporadora mantém cópia no dossiê do empreendimento — necessário para o habite-se e para qualquer ação de garantia pós-entrega nos 5 anos de responsabilidade pelo Código Civil.
5 erros que geram notificação no CREA — e como evitar
- 01Declarar valor de contrato subestimado na ART: o profissional reduz o valor para pagar menos guia — configura declaração falsa. O CREA-PR cruza valores com dados de INSS e notas fiscais; casos discrepantes vêm sendo notificados desde 2025.
- 02Usar uma ART para cobrir dois serviços distintos: cada serviço técnico separado exige ART própria. ART de execução de estrutura não cobre hidráulica nem elétrica — mesmo que a mesma empresa execute tudo.
- 03Não encerrar ART quando troca o responsável técnico: se o engenheiro de obras sai, a ART anterior precisa ser baixada (cancelada ou de conclusão parcial) e nova ART emitida antes de retomar. Obra com ART de RT que saiu é obra irregular perante o CREA.
- 04Não quitar a guia antes do início do serviço: ART registrada com guia não paga fica inativa no sistema. O portal CREA exibe o status — agente de fiscalização reconhece a diferença entre ART ativa e ART pendente.
- 05Confundir RRT com ART: RRT (Registro de Responsabilidade Técnica) é o equivalente no CAU, usado por arquitetos e urbanistas. ART é do CREA, usada por engenheiros e técnicos. Obra predial costuma ter as duas — projeto arquitetônico gera RRT no CAU, estrutura e instalações geram ART no CREA. São sistemas distintos, fiscalizados por conselhos distintos.
Perguntas frequentes
O que ainda costuma ficar em dúvida.
A empreiteira de estrutura precisa emitir ART?+
Sim. A empreiteira que executa estrutura de concreto (fôrma, armação, concretagem) deve emitir ART de execução assinada pelo engenheiro responsável técnico da empresa antes de iniciar. A Shark emite ART de execução de estrutura como parte padrão do contrato, com guia quitada antes da mobilização.
O que acontece se a obra for fiscalizada sem ART?+
O agente do CREA pode lavrar auto de infração, notificar o profissional e, em caso grave, solicitar embargo da atividade até regularização. Profissional pode responder a processo no CREA e ter registro suspenso. A incorporadora responde solidariamente se sabia da irregularidade.
ART e RRT são a mesma coisa?+
Não. ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é emitida por engenheiros e técnicos habilitados no CREA. RRT (Registro de Responsabilidade Técnica) é emitida por arquitetos e urbanistas habilitados no CAU. Uma obra predial completa costuma gerar documentos nos dois sistemas — projeto arquitetônico no CAU, estrutura e instalações no CREA.
Qual a diferença entre ART de execução e ART de conclusão?+
ART de execução é emitida antes de iniciar o serviço — vincula o profissional à atividade que vai executar. ART de conclusão (ou baixa de ART) é emitida ao terminar o serviço — encerra o ciclo e registra o serviço no acervo técnico do profissional. As duas são necessárias para fechar o ciclo completo do documento.
A ART de estrutura cobre a fundação também?+
Depende do escopo contratado e de quem executa cada serviço. Se a mesma empresa executa fundação e estrutura, pode ser coberta por uma ART com escopo que contemple as duas etapas. Se empresas distintas executam cada etapa, cada responsável técnico emite sua ART pelo seu serviço. O mais seguro é ART específica por etapa contratada.
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